Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

terça-feira, 17 de maio de 2016

A Pátria Mãe Gentil e seus 107 mil empregos sem concurso

Rei morto rei posto. Ou rainha morta rei posto. Não importa se vai ser temporário ou definitivo. Já estão garantidas 107.121 vagas de cargos de confiança no governo Temer, herdadas da administração PT de Lula e Dilma Rousseff.

Novo presidente Michel Temer promete enxugar a máquina administrativa, mas mesmo assim o número de vagas será bastante considerável e em oferta mais generosa da do limitado número oferecido no concurso público.

E o melhor, vagas que são preenchidas sem concurso público. Muitas delas dependem apenas do famoso QI (Quem Indica).

Entre os principais requisitos estão o de você nunca ter tomado parte da administração petista e nem ser filiado a partidos aliados dos antigos governantes. Caso de arrependimentos, no entanto, poderão ser avaliados.

Os estudos demonstram que a maior parte dos servidores comissionados do Governo Federal não está ligada a partido político. É bom que você aprenda essa importante lição, a fim de estar pronto a mudar de barco em caso de turbulências. Tem gente que quando briga na iniciativa privada, com bom trânsito consegue logo um bom e generoso abrigo na máquina do Estado, também chamada às vezes de trem da alegria, mesmo que provisório, mas que pode, dependendo do talento de cada um se eternizar.

Mas, há uma boa notícia: filiados ao PT são cerca de 10% dos cargos ocupados. Isso significa que, no barato, uns 10 mil já estão sendo colocados para fora do barco. Mas, há os que resistam e ameaçam ir até para a Justiça a fim de não largarem seus postos.

Segundo reportagem de O Globo, de domingo 8 de maio, a maior concentração de petistas está no Ministério do Desenvolvimento Agrário, com 25% do total de cargos comissionados. O ministério foi extinto, como o da Cultura, pelo presidente Michel Temer.

A denúncia é de que, para ser comissionado, o apadrinhado acaba doando uma espécie de dízimo para o partido. Calcula-se que filiados em cargos de confiança doaram 7 milhões de reais ao PT só em 2014.

Dos 107 mil cargos de confiança do Executivo vão restar muitos e muitos para serem preenchidos, pois só deverão perder as vagas os indicados do PT e do PCdoB.

O Governo Federal dispõe de 808.618 servidores. Segundo muitos analistas, a máquina pública é emperrada em virtude do Cabidaço de Emprego que representam os cargos de confiança.

Em um órgão público é comum a disputa entre o servidor concursado (estável) e os apadrinhados políticos. O problema cresce quando vaza que os vencimentos do apadrinhado é superior ao do concursado ou quando se chega ao despautério de o comissionado ocupar cargo de chefia, mas sem pleno conhecimento das atividades do seu setor.

Muitos países com economia muito mais sólida que a do Brasil, como os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França e Japão possuem proporcionalmente número de servidores em cargos de confiança infinitamente inferior ao do Brasil.

A queda do governo Dilma-Lula causa uma comoção, pois só no PT são 10.200 cargos comissionados, dos quais 2.200 do tipo DAS, cargos de direção e assessoramento superiores (diretores, presidentes e vice-presidentes).



ONDE ESTÁ A BOCADA

Na distribuição dos cargos comissionados do Executivo, 47.929 estão no Ministério da Educação, que ao contrário do da Cultura, com os seus 1.460 gatos pingados, não foi extinto.

Só a Presidência da República teve 6.026 comissionados esvaziando a gaveta, menos os que rapidamente mudaram de lado. Uma boa oferta está no Ministério da Fazenda com 7.623 vagas.

Poucas vagas estão disponíveis nos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - 872 cargos comissionados; das Comunicações - 978; das Cidades - 900; Pesca e Agricultura - 360; do Esporte - 361; Turismo - 259; e o sugestivo Desenvolvimento Social e Combate a Fome - com 610 boquinhas.

Com mais de mil vagas, além da Educação, Presidência da República, Fazenda e o extinto Cultura figuram: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - 1.311 cargos; Defesa - 3.832; Agricultura e Abastecimento - 3.088; Integração Social - 1.480; Justiça - 4.170; Minas e Energia - 1.592; Trabalho e Emprego - 2.233; Banco Central do Brasil - 1.232; Previdência Social - 5.777; Desenvolvimento Agrário - 1.064; Transportes - 1.964; Meio Ambiente - 1.230; Planejamento, Orçamento e Gestão - 4.796; e da Saúde - 5.325.


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