Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

terça-feira, 26 de junho de 2018

Segundo Gol, um perigo

No futebol, e quem atesta isso são muitos especialistas, técnicos e jogadores, o resultado de 2 a 0 é um dos mais perigosos. Se a partida está em andamento, mesmo no segundo tempo, caso o adversário diminua o placar para 2 a 1, a tendência é de que adote a tendência de perdido por 2 perdido por 10. É claro que nem sempre isso pode dar resultado e acabe sendo surpreendido por um 7 a 1 (acontece até em Copa).
De qualquer forma é melhor estar ganhando por 2 a 0 do que perdendo.
Nesta quarta-feira, o Brasil enfrenta a Sérvia com a vantagem do empate, o que o levará para a próxima fase do Mundial da Rússia. Contudo, é bom não contar com isso, pois caso seja surpreendido por um gol do adversário, certamente encontrará uma rígida retranca e os jogos iniciais mostram que encontramos muita dificuldade com isso.
Uma derrota significará a volta para casa. Ou melhor, dos jogadores apenas três gatos pingados:  Cássio, Fagner e Geromel, o restante da turma há muito que integra nossa Legião Estrangeira.
(Mauricio Figueiredo - Ardbola)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

OPINIÃO E METAMORFOSE

Na época do arbítrio fazia sentido os versos fortes de Zé Keti, com o Opinião (Pode me bater pode me prender, podem até deixar-me sem comer que eu não mudo de opinião). Mas, o mundo gira e o mundo roda. Ainda longe da democracia ideal, nos aproximamos hoje mais, felizmente, da Metamorfose Ambulante pregada por Raul Seixas (Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo).
São dois contextos, duas épocas diferentes. Contudo, para muitos e já foi dito que "o uso do cachimbo torna a boca torta", o que resta desta festa é a intolerância, o pensamento troglodita, o tacape rasgando a cabeça do próximo, simplesmente pelo fato de não pensar como a gente.
A intolerância se faz presente em um simples debate político em torno da liberdade ou prisão do Lula até a uma discussão sobre a escalação ou não de um atacante em uma equipe de futebol.
Frutos de um país, no qual a prática democrática sempre foi rara, o pensamento geral entre velhos e jovens é o de não saber debater. A conversação não flui, ela é sempre entremeada de agressões e palavrões que são os recursos comuns aos pobres em argumentação ou na transformação da acepção religiosa, os chamados "pobres de espírito", visto de forma pejorativa. Ao contrário dos do passado, não herdarão a terra, mas simplesmente o inferno da opinião ditatorial ou a metamorfose dos que mudam sempre para pior. (Mauricio Figueiredo)

Um tal de Neymar e o pisão do Fernandinho

O futebol, também menos conhecido como Football Association é um esporte coletivo. Pode-se dizer que uma andorinha só não faz verão. Mas, às vezes se foge a regra, como no caso de um Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldos (Fenômeno e Gaúcho) e agora um tal de Neymar.
Que Neymar faz a diferença não resta dúvida. Em terra de cegos (diriam os saudosistas), ele é rei, como Messi para o Barcelona e menos para a sua Argentina e Cristiano Ronaldo para o Real Madrid e menos para o seu Portugal.
Na véspera da Copa, Neymar machucou o dedinho do pé e foi submetido a uma cirurgia. No passado, qualquer contusão iria requerer um tempo infindável para a recuperação de um atleta. Agora, o cara é operado e pula da mesa de cirurgia diretamente para o campo.
Conta-se agora, que antes do amistoso conta a Croácia (gols de Neymar e Firmino) que o craque do PSG levou no treino um pisão, justamente no pé operado, do cabeça de área Fernandinho. Foi só um susto com a recreação parando 5 minutos para atendimento do craque.
CALMA Fernandinho que nem sempre o santo pode ser de ferro. Deixa para acerta o Messi!

 (Mauricio Figueiredo - ARDBola na Copa)



Palavrões que não ofendem

NÃO HÁ NADA MAIS RETROGRADO
DO QUE O USO INDISCRIMINADO DE PALAVRÕES

SÃO COISA DE GENTE VELHA
DO SÉCULO PASSADO
E DE JOVENS DO MUNDO ATUAL
COM MENTE ENVELHECIDA

PERDERAM A FORÇA
E O SIGNIFICADO
(Mauricio Figueiredo)

Roupa Velha

HOMOFOBIA DE DIREITA E ESQUERDA
Hebert Marcuse, o filósofo alemão, em maio de 1968, incendiou a garotada estudantil de Paris, com reflexo em boa parte do mundo, com a sua Ideologia do Estado Industrial e ainda mais com o Eros e Civilização, uma interpretação atualizada do pensamento de Freud.
No século passado, o filósofo acompanhado de muitos outros abriu a mente dos jovens para o ridículo em relação a todo tipo de preconceito que vão do racismo à homofobia e a desvalorização da mulher.
Em pleno século XXI, infelizmente, ainda se vê no Brasil a perpetuação desse ranço preconceituoso do passado. A homofobia é compreensiva entre a chamada massa ignara, nos estádios, com os seus gritos de BICHA a cada tiro de meta do goleiro da equipe adversária. Contudo, ela mostra-se ainda mais estreita em áreas como as da rede social quando pessoas pretensamente tidas como intelectualizadas, escolarizadas e politizadas mantêm esse tipo de comportamento.
Não escrevo isso para recriminar ninguém, pois no século passado, antes da explosão de 68 também era BABACA, mas agora como disse o poeta Belchior, "o passado é uma roupa que já não me serve mais". Infelizmente, muitos continuam vivendo como os próprios pais. (Mauricio Figueiredo)

Futebol, alegria do povo

Com o argumento de que a roubalheira campeou na organização da Copa do Mundo de 2014, muitos agora vestem a camisa de propagar verdadeira ojeriza à seleção brasileira. Trata-se de um comportamento primário que procura tirar do cenário uma das grandes entre poucas paixões do povo brasileiro.
Trata-se de soluções simplistas como a de invasão de favelas de forma agressiva como estratégia de combate à violência, ou da mesma forma a construção em larga escala de presídios de segurança máxima por todo o país. Fala-se no desalojamento de famílias para a construção dos estádios faraônicos da Copa, mas não se vai à raiz do problema que passa pela construção de moradias decentes que segundo cálculos otimistas estão na casa de 12 milhões em todo o país.
Os males do Brasil não são as manifestações populares como o futebol, o carnaval, as festanças, procissões e cultos religiosos, desde que não sejam manipulados por políticos inescrupulosos.
O foco da questão está na Educação e Saúde de qualidade como verdadeiras prioridades, a começar pela valorização profissional e salarial de professores e profissionais da saúde.
Uma educação voltada para a verdadeira formação de cidadãos. Pessoas capacitadas a pensar sem influência nefasta de terceiros, sabendo escolher de fato suas reais necessidades sem qualquer tipo de paternalismo. A construção de uma verdadeira democracia que seja por si só antidoto para a solução imediatista da ditadura, que seja de esquerda ou de direita, na qual o povo robotizado é chamado a marchar como robôs ou mortos vivos. (Mauricio Figueiredo)

sábado, 2 de junho de 2018

O general Mourão

A Pátria

"Olha com fé e orgulho,
a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum
país como este!"
(Olavo Bilac)

Em 1964, o general Olímpio Mourão Filho, o general Mourão, ordenou na madrugada do 31 de março para 1º de abril, que as tropas da 4ª Divisão de Infantaria, sediada em Juiz de Fora, Minas Gerais, (a mais carioca das cidades mineiras) marchassem em direção à Cidade Maravilhosa, desencadeando o Movimento Militar (revolução redentora para uns e ditadura para outros).
Muitas coisas contribuíram para a deposição do presidente João Goulart, vice de Janio Quadros, que renunciou à Presidência em 25 de agosto de 1961, Dia do Soldado, com apenas sete meses de governo. Janio foi eleito com expressivo número de votos, representando à direita e empunhando a bandeira de combate à corrupção. Já o vice Goulart era da esquerda (Na ocasião, podia-se eleger um presidente e votar em um vice de outro partido.)
Nas alegações dos militares na época, justificando a deflagração do movimento, a quebra da hierarquia militar, segundo eles, estimulada pelo presidente Jango, entre outros pontos, desencadeou a "revolução" e colocava-se na conta também um certo clamor popular, especialmente da classe média.
No quadro confuso da atualidade, presencia-se na rede social um soldado uniformizado dando pitaco sobre a situação política do país e defendendo a greve dos caminhoneiros. Algo que soa estranho. Em 64 esse papel coube a um cabo da Marinha, o cabo Anselmo, depois desmascarado como um agente provocador, ou seja, colocado para por mais lenha na fogueira.
Em 2018, um outro general Mourão, Antonio Hamilton Mourão, em palestra promovida pela maçonaria, em Brasília, defendeu a intervenção militar caso as instituições não resolvam os problemas políticos. O recado foi dado, mas o então secretário de economia e finanças do Exército acabou transferido para a reserva do Exército.
Agora, o general Mourão apresenta-se como possível candidato à Presidência da República por um partido pequeno.
Terá oportunidade de em campanha apresentar seus projetos para o país. 
Melhor que seja assim: o Brasil merece trilhar o caminho da democracia, mesmo que a atual ainda seja incipiente, fruto da ação dos traidores da pátria. (Mauricio Figueiredo)


sexta-feira, 1 de junho de 2018

DEMOCRACIA DE FACHADA

Não há campo mais fértil para a instalação de Estados autoritários, tanto de direita como de esquerda, do que a existência de uma frágil democracia. Ao longo da História, o Brasil foi marcado por pequenos períodos de liberdade democrática. Na República, iniciada com um golpe militar contra o imperador Pedro II em que pese o Marechal Deodoro ser monarquista e amigo do rei, a construção do Estado democrático sempre esbarrou nos privilégios de uma elite agrária e posteriormente de uma insípida elite industrial e citadina.
A Revolução de 30 sob o comando de Getúlio Vargas surgiu como marco para a modernização do país, mas acabou resultando na ditadura do Estado Novo, instituída em 1937. O Brasil vivia a luta ideológica girando em torno da construção do socialismo soviético com a revolução comunista de 1917 e o surgimento do pensamento anarquista e do movimento operário brasileiro, com a criação dos Partidos Comunistas. E no campo da direita a criação do movimento integralista de Plínio Salgado flertado com um forte nacionalismo inspirado nos matizes do nazi-fascismo.
A chamada Guerra Fria após a II Guerra Mundial e derrota do nazismo hitlerista colocou o Brasil no campo aliado dos Estados Unidos, tanto que nossa participação nos campos da Itália deu-se por meio de nossas tropas integrando o V Exército norte-americano. A criação da Escola Superior de Guerra (ESG) definitivamente colocou o país diante da hegemônica dos Estados Unidos na luta ideológica contra o bloco soviético capitaneado pela Rússia.
A revolução comunista cubana de Fidel Castro-Guevara acirrou a guerra ideológica, aumentando nos meios militares a preocupação de o Brasil ser alvo do mesmo processo o que implicaria indiscutivelmente em uma intervenção militar norte-americana. O cerco as ideias socialistas aumentou resultando no novimento militar de 1964, inicialmente, visto como medida saneadora preparando o país para as eleições que estavam previstas para 1965. Juscelino Kubitschek era apontado como o mais forte candidato, mas outros almejavam um lugar no Planalto, especialmente, o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, o mais forte opositor do governo Goulart.
Posteriormente, com a queda do muro de Berlim, 1989, e desmoronamento da União Soviética a Guerra Fria perdeu a força e o sentido do passado. O regime militar brasileiro chegou a exaustão com o agravamento da situação econômica brasileira.
A redemocratização do país, através do processo de abertura política de forma gradual passou a fazer parte do pensamento dos próprios militares tendo em vista a perda de força do movimento comunista.
Chamado de mago ou bruxo, o general Golbery do Couto e Silva teve participação ativa na idealização do processo de abertura política. O último presidente do regime militar João Figueiredo pegou pesado ao afirmar que não haveria retrocesso e que "prenderia e arrebentava" quem se opusesse.
A abertura política, no entanto, não foi um processo feito sem uma estratégia política e militar. O país passou de dois partidos únicos (Arena-MDB), no modelo americano bipartidário forte do partido Republicano e Democrático, para o retorno do pluralismo democrático, inclusive, com a participação dos partidos comunistas os primeiros proscritos ao longo da história e a criação até de um Partido dos Trabalhadores no bojo do processo industrial brasileiro com base no ABC paulista e a aposta no aburguesamento do operariado brasileiro, aliado ao movimento estudantil enfraquecido pela nova realidade do aumento brutal do número de matrículas nas criadas e estimuladas faculdades e universidades privadas, com a União Nacional dos Estudantes (UNE) praticamente sumindo do mapa.
No quadro internacional, no qual o Brasil está inserido, consolidou-se novas formas de pensamento influenciando a própria esquerda. Foram incorporadas novas bandeiras como a do feminismo, ecologia e a chamada revolução sexual e maior permissividade em relação ao uso de drogas em geral, a partir do chamado "desbunde". A globalização mundial também enfraqueceu o sentido de nacionalismo. O mesmo jovem que defende teses socialistas tradicionais é o que curte o rock, os filmes e toda produção cultural do chamado lixo da burguesia. A cultura de massas do século XX passou a ser o padrão mundial.
Golbery em seus livros tinha acentuado que "o comunismo é uma “ideologia dissociadora, pretensamente campeã da justiça social e das verdadeiras liberdades do homem, que se mascara sob as mais justas aspirações nacionalistas e os mais nobres ideais democráticos, que faz da demagogia o seu melhor aliado e, da corrupção o cúmplice mais fiel, que solapa todas as crenças e desmoraliza todas as virtudes, que repudia a religião como ópio dos povos e propaga um fanatismo estéril como vil sucedâneo, que mistifica, que escraviza, que envenena, que mata” (1958:141)."
 Em outro texto, Golbery luta “contra a pior forma de entreguismo, que é esse entreguismo psicológico dos teleguiados comunistas . . .” (1959e:232).
Esse discurso do general, um dos ideólogos do governo militar e do processo de abertura política figura hoje ainda forte no cenário nacional, no qual uma "democracia de fachada", inundada de partidos políticos em verdadeira corrida pelo poder, no qual a corrupção à esquerda e à direita passa a ser a base do próprio fortalecimento de grupos com a barganha de cargos políticos e consequentemente o esfacelamento do Estado, deixa o Brasil diante de um dilema  crescente: o caminho da construção de uma Democracia verdadeira, no qual a Educação e o enriquecimento cultural do povo brasileiro pleno de analfabetos das letras e também os funcionais, cujas postagens e linha de pensamento são visíveis nas redes sociais ou a opção rasteira da aventura por uma nova Intervenção Militar.
Dessa vez, o inimigo não é mais o fantasma esqualido do comunismo, mas o próprio assalto aos cofres esvaziados dos celeiros da nação por mãos de larápios beneficiados por um arremedo de democracia.
O Brasil precisa se libertar da sua Escravidão do Egito e caminhar, mesmo que seja pelo deserto, rumo a terra da Liberdade e isso só é possível com Educação, Saúde, Cultura e Lazer de qualidade para o nosso povo. (Mauricio Figueiredo)