Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A ÚLTIMA VISITA DA VELHA SENHORA - * Carlos Ney

São dois brasis. Nesses tempos de realidades virtuais e caçadores de pokemons, fatos são subjetivados em face da política de resultados. Não importa o Brasil de desempregados, se o líder supremo dos trabalhadores, descendo do jatinho, diz que jamais estiveram, eles, os trabalhadores, tão felizes; Não importa o caos da Economia, refletido no desemprego, na falência dos micronegócios, da Saúde, da Segurança e da Educação. Somos olímpicos! Não importa o preço do sonho se, por alguns instantes, esse foi o sonho dos gigantes. Sem as verbas que os mantinham militantes, os movimentos sociais não podem arruaçar. O molusco etílico, que por "obra" da maior empresa contraventora do mundo (as contas-fantasmas mantidas, para fins de propinas, além das megas construções em solos estrangeiros, geralmente subvencionadas pelo BNDES, que a influência presidencial traficou, a internacionalizaram) tornou-se o mais trôpego dos palestrantes tenta, hoje, assombrar, como um fantasma falido, os nobres de uma corriola política que já o venerou. Com a terrível mensagem silenciosa: eu sei o que vocês faziam no verão passado. No palco armado para ela, nesse roteiro de comédia de terror, a atriz decadente, que perdeu o protagonismo de um papel para o qual lhe faltava talento, irá monologar. Não assistirão a esse constrangedor epílogo, os que tentam reempregar-se ou se manter em seus empregos, já que para esses o dia é curto. Os sábios, cansados das palavras vazias, também não. Além do Chico Buarque, que logo voltará para seu apê em Paris e da militância indiferente aos fatos reais, embarcados que estão em suas convicções fanáticas, somente os pessimistas, apavorados, trêmulos diante da possibilidade tão real que lhes rouba o sono, de que a presidente afastada retorne ao status britânico (reina mas não governa). Porque é nisso que apostam os cineastas - que veem a vida atrás das lentes de suas câmeras. Mas, vejam bem, para que o filme deles conquiste o primeiro Oscar brasileiro, ninguém pode fugir ao enredo que o próprio diabo escreveu.

* Carlos Ney é jornalista e escritor

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