Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Jornal de Notícias-Portugal


Que dizem as moscas 

sobre a vida humana

Equipa de portugueses estuda longevidade de insecto
que ajudará a perceber tempo de vida dos humanos

00h30m

CARLA SOARES
Um trabalho conduzido por investigadores portugueses sobre uma
espécie da mosca-da-fruta poderá ajudar a perceber a razão pela
qual alguns humanos vivem mais do que outros. Numa investigação
inovadora em Portugal, a equipa coordenada pelo cientista
Jorge Vieira sequenciou, por completo, o genoma de um animal.
foto ARTUR MACHADO/LUSA
Que dizem as moscas sobre a vida humana
Jorge Vieira, investigador do Instituto de Biologia Molecular e Celular
O que faz com que algumas moscas vivam muito
e outras pouco foi a pergunta que esteve na origem
do trabalho. E, mais especificamente, qual a variação
e em que genes. Para encontrar respostas, a equipa
sequenciou o genoma da Drosophila Americana,
umas das espécies da mosca-da-fruta que apresenta
 uma das maiores variações nos padrões de longevidade.
Ao JN, Jorge Vieira, investigador do Instituto de
 Biologia Molecular e Celular (IBMC), no Porto, conta
 que trouxeram "mais de 100 moscas" que apanharam
nos EUA com uma mistura de cerveja e levedura de
padeiro. Nuno Fonseca, do CRACS (Center for Research
in Advanced Computing Systems), é outro investigador
deste projecto.
"Conseguimos fazer algo muito difícil que é sequenciar
 e descodificar o genoma", explicou Jorge Vieira. E é
possível identificar, de forma rápida, características
em genes que explicam por que motivo "indivíduos" da
mesma espécie apresentam níveis diferentes de
 longevidade e de resistência ao frio ou de tempo de
desenvolvimento. As primeiras conclusões do trabalho
surgem de duas estirpes que foram sequenciadas: uma
com vida longa e outra com pouca longevidade.
O processo passou por isolar fêmeas em frascos
e por acompanhar a reprodução entre irmãos para
 manter as características. Os tempos de vida variam
entre os 20 e os 120 dias, num "ambiente ideal" de
25 graus. Mas, diz Jorge Vieira, as moscas "podem viver
mais de seis meses" com 18 graus.
Foram identificados já dois genes "que explicam cerca
 de 35% da variação". São "da família dos Matusalém",
nome de figura bíblica conhecida por ter tido uma vida
muito longa. Conseguiram sequenciá-los com um apoio
de 10 mil euros e equipamento de um laboratório austríaco.
Mas estes genes, "infelizmente, não existem nos humanos".
Porém, o estudo está longe de terminar. Jorge Vieira nota
que "são todos animais e, portanto, têm uma base genética
comum". A partir de genes com função comum, será possível
 explicar a longevidade do ser humano. Identificadas foram,
também, estirpes expostas a frio intenso. Uma demorou mais
do que outra a recuperar do coma. Neste caso, por exemplo,
 há genes que têm uma função equivalente.
(Transcrito do Jornal de Notícias - Portugal)
www.agenciareporterdigital.com.br)

Nenhum comentário:

Postar um comentário