Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Nós, os humanos

O psicoterapeuta Flávio Gikovate fará uma palestra no lançamento do seu novo livro Nós, os humanos, da MG Editores. Será no dia 2 de setembro (quarta-feira), das 19h às 20h, na Livraria Cultura Conjunto Nacional, na sala Eva Herz, piso superior. Em seguida, haverá coquetel e sessão de autógrafos.
No livro, Gikovate apresenta uma visão tridimensional do homem, em suas peculiaridades biológicas, psicológicas e sociais. Ele estuda as relações entre amor, sexualidade, vaidade e vícios, mostrando como a razão interfere nos processos sentimentais.
A livraria fica na Av. Paulista, 2.073. Investigando as conexões entre amor, sexo, vaidade e vícios, Gikovate demonstra, com grande otimismo, que o antídoto para tanto sofrimento está no uso da razão e na capacidade de investir conscientemente na individualidade: “Meu objetivo é esclarecer um pouco melhor a trajetória intelectual que venho percorrendo com base na extensa experiência clínica que acumulei. Pretendo também resgatar uma atitude otimista em relação à nossa condição”, revela o autor.
O livro reúne seis ensaios – o primeiro deles inédito e os outros publicados na antiga edição de Uma nova visão do amor – abordando as relações entre a razão e as pressões biopsicossociais a que as pessoas se submetem. “Eles complementam minha forma de pensar acerca da condição humana”, afirma o psiquiatra. O primeiro ensaio, “Corpo, alma e sociedade”, trata das potencialidades do cérebro.
O autor mostra que as pessoas estão presas a valores e regras sociais que as impedem de ter uma vida plena. O último, “Do que somos capazes”, oferece uma visão otimista do futuro, desde que as pessoas invistam em sua individualidade para ter uma vida social e amorosa satisfatória.
O autor trata também das dualidades instintivas: “Vejo a dualidade como derivada de um impulso para a vida e outro, antivida, que vem da nostalgia da harmonia uterina. Essa nostalgia é utópica e tola e pode ser combatida”, afirma.
Os outros quatro ensaios falam das relações entre o amor e o sexo, a vaidade, os vícios e a razão. “Amor e sexo” explica que esses dois componentes não estão sempre interligados, como reza o senso comum. Em “Amor e vaidade”, ele demonstra que um dos ingredientes maisdestrutivos envolvidos na relação amorosa é a vaidade, mesmo que não seja percebida pelos parceiros. “Amor e vícios” reafirma a ideia do autor de que o amor romântico funciona da mesma forma que as substâncias que provocam dependência.
“Amor e razão”, por sua vez, sustenta o ponto de vista de que o amor pleno é aquele mais próximo da amizade, sem vínculos doentios entre as pessoas. A obra complementa as considerações do psiquiatra a respeito do amor, do sexo e do funcionamento da razão feitas a partir de 1980 nos livros A liberdade possível, Uma nova visão do amor e Libertação sexual, entre outros.
O autor Flávio Gikovate é médico psiquiatra formado pela USP em 1966. Trabalha com psicoterapia breve, tendo atendido mais de oito mil pacientes. É conferencista e autor consagrado, com várias obras publicadas – inclusive no exterior –, que somam mais de 600 mil livros vendidos.

Título: Nós, os humanos
Autor: Flávio Gikovate
Editora: MG Editores
Preço: R$ 33,90
Páginas: 152ISBN: 978-85-7255-060-4
Atendimento ao consumidor: (11) 3865-9890
Site: www.mgeditores.com.br

Diploma de jornalismo

O portal Comunique-se noticia que, o fim da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, aprovado pelo STF, ainda não atingiu a maioria dos órgãos públicos. Dos oito concursos abertos atualmente, todos exigem graduação específica.
Os valores pagos estão entre R$ 1.090,46 e R$ 6.611,39. Os órgãos com inscrições abertas são: Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (CE), Prefeitura de Caucaia (CE), Agência de Fomento do Estado do Amazonas, Câmara de Vereadores de Lajes (SC), Conselho Regional de Nutricionistas – 1ª Região, Companhia Pernambucana de Saneamento, Prefeitura de Santo Antônio do Monte, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Os concursos oferecem 20 vagas, oito efetivas e 12 para cadastro de reserva.
O concurso que oferece a maior remuneração é o do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região, no Ceará. Para o cargo de Analista Judiciário, especializado em Comunicação Social, o salário é de R$ 6.611,39.
Em julho, logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, foi alterado e passou a não exigir diploma para o cargo de analista em Comunicação Social.
Iniciativa contrária a da Finep foi adotada pela Câmara Municipal de Maceió. No início desta semana, a Casa aprovou a obrigatoriedade da graduação em Jornalismo para a contratação de servidores pelos poderes Executivo e Legislativo da cidade. A lei se aplica aos cargos de comissão, jornalismo, publicidade e relações públicas, e espera apenas a sanção do prefeito para entrar em vigor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Como nossos pais




Há uma canção de Belchior, na qual o autor afirma que “apesar de tudo continuamos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Essa pode ser a trilha sonora de parte da atual geração estudantil que continua mantendo a tradição troglodita dos trotes aplicados, muitas vezes de maneira grotesca e mesmo violenta aos calouros.
O episódio que envolveu uma caloura na Universidade Fluminense entra no rol de muitos dos que acabam sendo assunto para uma “comissão de inquérito”, na qual, como na velha política acaba sempre em pizza.
O que a universidade e os próprios estudantes, a partir de suas lideranças lúcidas (e nesse caso a UNE , diretórios e CAs não podem ser omissos) deveria colocar em prática, imediata, é o fim a essa forma ultrapassada de recepcionar os novatos.
No Rio, estudantes com o corpo coberto de tinta disputam nas ruas da cidade um “trocado” na companhia de mendigos e crianças abandonadas, em um espetáculo ridículo que depõe contra o próprio conceito de ensino superior.
Incomodar os transeuntes para arrecadar recursos para as “chopadas” dos veteranos é algo sem o menor sentido.
Melhor fariam se discutisse a qualidade do ensino superior; a necessidade de mais verbas para a educação e a melhor aplicação dos recursos existentes. Melhor fariam se discutissem a luta pela moralização da política partidária.
Mas os jovens – parte deles, felizmente – preferem perambular pelas ruas da cidade (coagidos ou não pelos veteranos) perpetuando um modelo autoritário que já deu o que tinha de dar.
“Continuam os mesmos e vivendo como nossos pais...”

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Cuidado com as trevas


Estava apenas vendo Concerto de Bangladesh, quando George Harisson cantou esta canção, dizendo para que tenhamos cuidado com as Maya... Na tradução do letras.mus.br, um verso interessante para os dias atuais: "Observe, agora, tenha cuidado. E atenção com gananciosos dirigentes... Que o levam para onde você não deve ir" ...


Beware Of Darkness - Cuidado com as trevas
Watch out now, take care - Preste atenção agora...Tome cuidado,

Beware of falling swingers - Cuidado com o que deixou cantores caídos

Dropping all around you - Largando todos ao seu redor.

The pain that often mingles - A dor que muitas vezes ...

In your fingertips - Em seu alcance


Beware of darkness - Cuidado com as trevas.
Watch out now, take care - Observe, agora,

Beware of the thoughts that lingerter - cuidado e atenção dos pensamentos que não demoram ...

Winding up inside your head -Ventando dentro da sua cabeça.


The hopelessness around you - O desespero em torno de você

In the dead of night - Na noite de mortos ...

Beware of sadness - Cuidado com as trevas.

It can hit you - Ele pode bater-lhe.

It can hurt you - Ela pode prejudicá-lo

Make you sore and what is more - Torná-lo ferido e muito mais,

That is not what you are here for - Isso não é o porque você está aqui.

Watch out now, take care - Veja, agora ...Cuidado

Beware of soft shoe shufflers - Com confortos misturados,

Dancing down the sidewalks - Dançando e estabelecendo as impressões.

As each unconscious sufferer - Como cada sofrimento lento

Wanders aimlessly - E inconsciente sem motivo,


Beware of Maya - Cuidado com as Maya.
Watch out now, take care - Observe, agora, tenha cuidado

Beware of greedy leaders - E atenção com gananciosos dirigentes,

They take you where you should not go - Que o levam para onde você não deve ir.

While Weeping Atlas Cedars - Enquanto chora no cedros de Atlas,

They just want to grow, grow and grow - Eles simplesmente querem crescer, crescer, crescer ...


Beware of darkness (beware of darkness) - Cuidado com as trevas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma questão de interpretação



Em sua Crônica no jornal O Dia, Jaguar critica o uso de uma de suas charges, publicada no Pasquim, logo após a vitória do Brasil na copa de 1970, em uma prova do Enem (Exame Nacional de Estudo Médio). Ao contrário do gabarito oficial imposto pelos especialistas do MEC a garotada (letra B), Jaguar marcou como resposta a letra A, enquanto sua mulher indicou a letra D. Para o cartunista todas as respostas fazem sentido, com exceção da letra E, e corresponderiam à verdade.
Não é a primeira vez, que ocorre discordância entre um artista e a interpretação que bancas examinadoras tentam dar aos testes propostos aos alunos. Ainda, como repórter do Escolar-JS ,do Jornal dos Sports, acompanhei a celeuma causada em um Exame Supletivo, quando a resposta oficial da banca, em uma das questões de Interpretação, não coincidia com a de muitos candidatos e de professores da área.
Tratava-se de um texto de Paulo Mendes Campos (A Mudança). Conseguimos entrevistar o escritor que também discordou da resposta oficial da banca examinadora. Resultado: como na piada, um dos coordenadores declarou que a partir daí só usariam autores mortos.
Eis aí uma dica para os técnicos do Enem.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

De Camões a Cabral 1



O magistério do Estado do Rio está furioso com o governador Sérgio Cabral. Ele como candidato ao governo apresentou carta-compromisso à categoria, prometendo mundos e fundos. Entre as promessas estava a de recuperar as perdas salariais da categoria dos últimos 10 anos e de que o Plano de Carreira do Magistério era “imexível”.
Agora, em mensagem à Assembléia Legislativa, Cabral propõe mexer no Plano e anuncia a incorporação de uma gratificação da categoria para ser paga, em suaves prestações, até 2015.
É como no soneto de Camões...

De Camões a Cabral 2



Poema de Camões. Homenagem do blog aos professores;

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prémio pretendia.


Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu Lia.


Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;
Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: − Mais servira, senão fora
Para tão longo amor tão curta a vida.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Carta Testamento-24 de agosto



No dia 24 de agosto, o presidente Vargas deu um tiro no peito e em sua Carta Testamento afirmava que deixava a vida para entrar na História e que seu ato era em favor do povo, para o qual tinha sido escravo não fosse mais escravo de ninguém. Para muitos, a Revolução de 30 é o marco do que se convencionou chamar de Brasil moderno. Eis a polêmica e emocional Carta Testamento:


"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História." (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

Vagas para universitários

A CI (www.ci.com.br), empresa de intercâmbio e turismo para jovens do país, anuncia parceria com o banco Bradesco para a abertura de 200 vagas exclusivas para clientes da Conta Universitária Bradesco, que quiserem se candidatar para trabalhar no período de férias nos EUA. O Bradesco irá encaminhar e-marketing para a base de clientes da “Conta Universitária Bradesco”, que poderão se inscrever através do site www.bradescouniversitarios.com.br para uma vaga de trabalho no exterior. Os candidatos passarão por um processo de seleção, que inclui entrevistas com empregadores e testes de inglês. As 200 vagas estarão disponíveis para os primeiros colocados do processo seletivo. O programa de trabalho de férias é exclusivo para jovens universitários, com idade entre 18 e 28 anos, que possuem, no mínimo, nível intermediário de inglês.
Para mais informações, entre em contato com a CI São Paulo/SP (11) 3677-3600, ou acesse www.bradescouniversitarios.com.br.

sábado, 22 de agosto de 2009

ALGO HICIMOS MAL 1

O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, pronunciou discurso interessante em 18 de abril deste ano na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, na presença dos demais presidentes latino-americanos, incluindo o presidente brasileiro, além de citar em seu pronunciamento o presidente do Equador. O material me foi enviado por De Carlo Áureo. Repasso aos leitores, aguardando comentários:

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo. Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes de que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país.
Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: –– todos eram pobres. Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: –– Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

ALGO HICIMOS MAL 2

Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos. Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos. Que fizemos errado?