Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Câmara Municipal de Kiev

Centenas de manifestantes tentaram invadir a Câmara Municipal de Kiev para contestar uma reunião dos políticos considerada ilegal, pois o mandato do grupo terminou em junho. 
Como acontece em outras terras, onde a democracia ainda está sendo consolidada, o diálogo foi resolvido por meio da truculência e gás de pimenta da polícia. 
Qualquer semelhança é mera coincidência (ou não?)

USA: vingança brasileira

Pois é - dizem que Deus é brasileiro - e a espionagem do país de Obama depois do discurso da
presidente Dilma, colocou o presidente norte-americano em verdadeiro inferno astral. Sobrou
até para a Estátua da Liberdade, que, com a falta do dinheiro para pagar os servidores públicos acabou tendo de fechar.

O mar não está pra REDE

O mar eleitoral não está pra peixe. A Rede de Marina Silva mesmo assim luta para
se transformar no 33º partido político brasileiro. Não é por falta de opções que o
eleitor deixará de escolher os melhores (ou não?)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Educação ou Morte?

O 7 de Setembro, data comemorativa da Independência do Brasil, tem a singularidade de servir de exemplo para o fato de a liberdade ser uma conquista cotidiana, marcada pela ação de todo um povo em sua opção de viver livremente ou sobre a tutela de algum outro estado.
 De verdade, o processo de independência do Brasil não ocorreu da noite para o dia., Antes do 7 de Setembro, muitos outros acontecimentos contribuíram para o desenrolar da separação do Brasil de Portugal. A Inconfidência Mineira é um desses exemplos, tendo na figura de Tiradentes o herói maior.
Em nosso século XXI, apontado por muitos como a Era do Conhecimento, em constante desenvolvimento científico e tecnológico, a verdadeira Independência ocorre pelo acesso da maioria das pessoas a uma educação de qualidade. Quando isso ocorre apenas em benefício de uns poucos, com a educação confundindo-se, indelevelmente, apenas como uma mercadoria como outra qualquer, esse ideal de povo independente se esvai.
O analfabetismo, ainda alto, embora diminuindo e o baixo nível de nosso ensino público e, em alguns casos, também, na esfera privada, compromete o verdadeiro desenvolvimento do país e a possibilidade da existência de uma economia auto sustentável.
Pelo contrário, o caos educacional (no Rio, uma das maiores universidades privadas do país, a Gama Filho é exemplo dessa crise) faz com que a sociedade brasileira acabe sendo constituída por uma elite escolarizada ao lado de grande massa de cidadãos de segunda classe.
É por isso, que temos déficit elevado de engenheiros, médicos, professores e demais profissões de ponta, essenciais para levar um país para frente. Enquanto postergarmos a prioridade verdadeira que temos de ter com a educação, continuaremos vivendo de medidas paliativas e sem que a essência do problema possa ser resolvida.
Fazer do magistério uma profissão que desperte o interesse de grande parcela de jovens qualificados está longe de se constituir medida corporativista, pois, com  melhor educação para todos, as demais profissões acabam sendo beneficiadas também.
É inaceitável que o rendimento de um único trabalhador dos países adiantados seja, em termos de produtividade, equivalente ao de cinco ou mais trabalhadores brasileiros, dependendo da área, em virtude da baixa escolaridade. Há casos dessa ineficiência ser resultado do simples fato de muitos profissionais não estarem capacitados ao entendimento de uma instrução ou leitura de um manual.
Na Era da Inteligência, o Brasil tem apostado na importação de mão de obra de outros países. Quando alcançamos a população de 200 milhões de habitantes, é vergonhoso que nosso processo educacional não venha sendo capaz de colocar no mercado de trabalho número suficiente de profissionais para preencher as vagas em aberto.
No Ipiranga foi dado o brado de Independência ou Morte. Atualmente, ele significa Educação ou Morte.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Os Neros da Educação


Mauricio Figueiredo

Há mais de 70 dias, os profissionais de Educação de Mangaratiba, na Costa Verde do Estado do Rio, encontram-se em greve. Eis um acontecimento que deveria, como tantos outros causar uma grande comoção. Mas, infelizmente, a parcela menos favorecida da sociedade, apesar dos protestos de rua,  ainda sofre com a "vida de gado" imposta por alguns governantes.

Quando vemos pessoas morrendo em filas de hospitais, posta de qualquer maneira em macas improvisadas ou mesmo em um canto do chão e ao mesmo tempo, equipamentos caríssimos apodrecendo em depósitos por falta de profissionais habilitados a operá-los, temos a dimensão do quanto é preciso ser feito em termos de educação no país.

A precariedade de nossas estradas, dos nossos equipamentos urbanos; nosso péssimo sistema de transporte; a falta de uma política habitacional; e de acesso a educação de qualidade, nos leva a constatação do distanciamento entre os que governam e a massa da população.

Diante disso, jovens indignados - como novos Castro Alves - protestam nas ruas, lutando pela libertação dos "novos escravos" do século XXI - os marginalizados do acesso à saúde, educação, transporte, moradia, etc -.
É verdade que muito tem sido feito, mas ao mesmo tempo, muito mais poderia ser feito no caso da fixação das verdadeiras prioridades e principalmente o combate rigoroso à praga da corrupção, com os desvios de verbas.

E é na educação, onde os efeitos são mais dolorosos. A democracia tão bravamente conquistada pela luta de muitos acaba sendo aviltada pela ação criminosa dos que se agarram em cargos públicos, fazendo do jogo político um instrumento de desencanto entre os eleitores.

A ação dos maus políticos é o caminho que leva aos regimes de exceção tão prejudiciais ao pleno desenvolvimento de um país. E nesse aspecto, a má qualidade da educação é valioso instrumento para a despolitização da sociedade, impedindo a solidificação do regime democrático.

Por isso, os 70 dias de estudantes sem aula, em Mangaratiba, são o retrato de um Brasil, cujos políticos passaram a fazer do factóide instrumento de aproximação com o eleitorado, tentando enganar ainda os menos esclarecidos.

Uma espécie de Neros do mundo atual, anunciando que desistiram de colocar fogo em Roma, mas em contrapartida incendiando tudo com o descaso com as coisas essenciais, entre elas a educação.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

...Leio os jornais e vejo um poderoso que bate em um super hospital...

MUNDO MARAVILHOSO

Olho da minha janela
e vejo o mundo
e penso como ele pode ser
maravilhoso (como na canção
de Armstrong).

Como as coisas podem ser transformadas para melhor
se houver menos egoísmo, ganância e vaidade.

Leio os jornais e vejo um poderoso que bate em um
super hospital, que por melhor equipado que seja, não
é o bastante para garantir qualquer vida na face da Terra.

Olho da minha janela
e vejo a árvore majestosa do frio inverno e as folhas que
dela caem inundando o chão e penso como o mundo
poderia ser bem melhor se o homem não quisesse ou
pensasse que é eterno.

E do outro lado da calçada a mulher grávida que caminha
com roupa de ginástica...
E então eu aposto na Vida.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Rainha do Lar


AVENTAL TODO SUJO DE OVO

Minha mãe, com certeza, está entre as primeiras mulheres que nos anos 40, em plena Segunda Guerra Mundial, ingressou no mercado de trabalho, não como participante de algum movimento feministas, que não existia na ocasião, mas levada pela necessidade de lutar pelo pão nosso de cada dia, pois, minha avó viúva dificilmente teria condições de sustentar seus 11 filhos.

Eximia datilógrafa, o que corresponderia atualmente, a um especialista da área de informática, ela tornou-se secretária do então presidente da FNM (Fábrica Nacional de Motores), a popular Fê Nê Mê, Brigadeiro Guedes Muniz. A ida toda manhã, do ônibus da companhia que a apanhava no Sampaio, bairro da zona norte do Rio, rumo a Xerém, onde ficava a fábrica, por vezes se constituía em um tormento, principalmente nos dias de temporais, quando os raios caiam por todo o lado na estrada que conduzia o ônibus por entre as imensas árvores. A FNM ficava na subida da Serra para Petrópolis. Não podendo esconder seu imenso medo era alvo das gozações dos engenheiros e técnicos, sendo ela a única mulher no veículo.

Meu pai era um dos assistentes do brigadeiro e sempre retornava de Xerém de helicóptero. Mas, um belo dia batendo os olhos na secretária (minha mãe), mudou o rumo da prosa e passou a voltar da fábrica também de ônibus.

Quando meus pais se casaram ouve pressão de meus tios e da família de minha mãe para que meu pai fizesse com que ela deixasse o emprego. Na ocasião, não era comum mulher casada trabalhar fora, com exceção de profissões como o magistério e enfermagem, entre poucas outras. Ter cedido as pressões foi, segundo minha mãe, um de seus grandes arrependimentos, pois acreditava que se seguisse carreira talvez tivesse melhores condições financeiras, junto com meus pais, que passou a arcar praticamente sozinho com as despesas da nova família. Minha mãe mesmo assim sempre conciliou os trabalhos domésticos e a criação dos filhos com diversas outras atividades, com o objetivo de aumentar a renda familiar.

Nos Dias das Mães para ela era intolerável quando na rádio surgia Angela Maria entoando uma canção especial do dia, em que outras exaltações dizia que se via a mãe surgindo com o avental todo sujo de ovo. Para ela, tal imagem era degradante. “Onde já se viu uma mãe com avental todo sujo de ovo, como se não tivesse algo mais nobre a apresentar”.

Quando queríamos irritá-la, eu e as minhas irmãs, com meu pai puxando o coro, cantávamos no Dia das Mães os versos de que “Ela é a dona de tudo. Ela é a rainha do lar. Ela vale mais para mim que o céu que a terra que o mar...”. Porém, antes de chegarmos ao “avental todo sujo de ovo”, minha mãe indignada botava todo mundo pra correr.

Obrigado mãe: baixinho eu canto “A Rainha do Lar” com a doce impressão de que de repente você aparecerá colocando a casa em ordem.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

10 de abril

AGRADECIMENTO

OBRIGADO A DEUS QUE CRIOU O MEU MUNDO
OBRIGADO A DICELLES E LOURIVAL QUE ME COLOCARAM NO MUNDO

OBRIGADO A GRAÇA, JULIA, CECILIA, SOFIA E CLARA
QUE FAZEM O MEU MUNDO!

OBRIGADO AOS AMIGOS QUE SÃO OS MEUS PRESENTES NO MUNDO

domingo, 7 de abril de 2013

Coreia do Norte: o rato que ruge


Dilma entre a cruz e a espada

De acordo com as pesquisas de opinião a presidente Dilma Rousseff está hoje em condições excepcionais de popularidade junto à opinião pública. Seu desempenho suplanta ao de Fernando Henrique e Luis Inácio Lula da Silva. Contudo, como ocorre com o futebol __ paixão nacional __ a vida muda de minuto a minuto. Ela tem como grande adversário a ameaça da volta da escalada inflacionária, na qual o tomate figura como símbolo ameaçador, junto com outros pepinos e abacaxis.

Mas a presidente Dilma pode ter em seus aliados do Partido dos Trabalhadores também empecilho para seu projeto de reeleição, aparentemente fácil. A candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pode, correndo por fora ganhar fôlego. Mas é no impasse que começa a aparecer no Estado do Rio, grande colégio eleitoral, e, em termos nacionais com o mundo evangélico, que a presidente poderá encontrar barreiras difíceis a sua candidatura.

O PMDB do governador do Rio, Sérgio Cabral, junto com seu fiel escudeiro do Rio, Eduardo Paes, teve um papel de grande importância na eleição da presidente Dilma, derrotada em São Paulo e em Minas, estados que hoje são governados pela oposição. A fidelidade de Cabral está ligada ao PT aderir a candidatura de seu vice, Pezão. Só que o partido fluminense colocou na mesa o nome do senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindenberg, o ex-líder dos carapálidas que seguindo a máxima bíblica soube conviver pacificamente na Casa com o ex-presidente Collor. O PMDB também se valendo de valores religiosos considera a atitude do PT fluminense uma verdadeira traição a presidente Dilma e se a candidatura Lindenberg for levada adiante, o partido do governador Cabral poderá em 2014 tomar outro rumo. Sem a força politica de São Paulo e Minas Gerais e ainda com a candidatura forte do governador de Pernambuco, a reeleição de Dilma poderá se tornar mais difícil, sobretudo se o quadro econômico não melhorar como se espera.

Também o racha com os evangélicos poderá ser prejudicial à candidatura Dilma. Em entrevista a Veja, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, Marco Feliciano, disse com todas as letras que na hora do perigo, o PT recorreu aos evangélicos para tornar viável a eleição da escolhida por Lula, até então, ilustre desconhecida para a maioria do eleitorado. E ele disse que em 2014 poderá ter volta ao que considera traição da esquerda petista, com o seu "linchamento" público.

Mostrando a união do mundo evangélico, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, a denominação brasileira com maior número de fiéis, em artigo para a Folha de São Paulo (5 de abril) afirma que toda essa mobilização contra o pastor Feliciano (Marco Feliciano é a bola da vez - é o título do artigo) "tinha um motivo maior: desviar os holofotes do PT. Afinal, enquanto se discutia a posse de Feliciano na CDHM, dois deputados condenados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoíno (PT-SP), tornaram-se membros da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, a mais importante comissão da Câmara".

O ex-presidente Fernando Henrique, por sua vez, sente que o clima político que coloca a presidente Dilma entre a cruz do movimento evangélico e a espada do PMDB do governador Cabral é adequado a decolagem da candidatura do ex-governador de Minas Aécio Neves e de forma contundente pede a união dos correligionários de seu partido PSDB e joga a farpa no ar: "Nosso governo começou com estabilização e continuou com políticas sociais. O período em que o Brasil cresceu mais socialmente foi no meu governo (...) O povo me elegeu duas vezes no primeiro turno e ninguém conseguiu isso. Eu não roubei, e isso é muito importante".

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O rato que ruge

A nova guerra da Coreia (Norte) faz lembrar o filme cômico "O rato que ruge", no qual um paiseco sem importância no cenário internacional acaba declarando guerra aos Estados Unidos, que nem se dá ao trabalho de responder, desconhecendo solenemente o fato. O filme é de 1959 e nele um pequeno país em grave crise financeira declara guerra aos Estados Unidos. A tese do mandatário, vivido pelo impagável Petter Sellers (A Pantera Cor de Rosa, entre outros), é de como perderão a guerra, o país depois será beneficiado com ajuda para se reerguer. O problema é que desembarcam em um velho navio em Nova York e são surpreendidos com a notícias de que possuem "a bomba das bombas", fazendo o poderoso inimigo se render.

No Brasil tem gente e partidos políticos torcendo pelo rato que ruge...

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Eduardo Campos na PUC-Rio

Em sua estratégia política de fixar seu nome em todo país, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, esteve presente na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) entoando o discurso da necessidade de elaboração de um projeto para o país e não de perpetuação no poder. O candidato do PSB à Presidência da República, em discurso na oficina "Diálogos  do Desenvolvimento Brasileiro" disse que "ao PSB não encanta um projeto de poder, mas de nação. Enquanto muitos podem pesar só em eleição, vamos pensar só em eleição, vamos pensar no Brasil".

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Transportes públicos no Rio

Durante a semana o transporte público no Rio de Janeiro é o inferno de sempre. Metrô superlotado, bem como trens que às vezes saem dos trilhos e ônibus que caem de viadutos e trafegam em velocidades incompatíveis com qualquer norma de segurança. Já no fim de semana, o quadro muda. O número de ônibus em circulação é extremamente reduzido. Isso é vísivel a qualquer observador atento que se coloca em algum ponto da Avenida Presidente Vargas ou Rio Branco. Os ônibus simplesmente somem mesmo em plenta tarde.

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Flamengo sem o primo do Messi

Na volta da Fonte Nova, no domingo, 7 de abril, o argentino Mancuso, que foi dispensado pelo Flamengo, fez um golaço no clássico Bahia e Vitória. Um gol que seu primo Messi assinaria.

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Reforçando o inimigo

Por falar em Flamengo, a equipe da Gávea bobeou e acabou reforçando o adversário Botafogo com vários de seus ex-jogadores. Andrezinho, Felipe Gabriel e André Bahia. Sem falar no holandês Seedorf que cairia como uma luva na Gávea. O Mengo perdeu Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love e preferiu apostar no "bom, bonito e barato". Agora os torcedores verão as finais do estadual de olho na telinha da TV.

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Creche nos estádios

O governo quer colocar na escola, obrigatoriamente, todas as crianças a partir dos 4 anos. A tarefa é fácil: basta aproveitar os "elefantes brancos" que se transformarão os diversos estádios de futebol que estão sendo construídos em todo o país para a Copa de 2014. Já assegurar a qualidade do ensino em todos os níveis é tarefa mais difícil. Exige investimentos e valorização dos professores.

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Belmira Brondani

Estive com a amiga e jornalista Belmira Brondani que vem realizando um verdadeiro período sabático, com muitos estudos e cursos, especialmente os ligados à mídia digital, incluindo viagens ao exterior, onde foi ver a Itália __ origem de sua família gaúcha de Santa Maria (RS) __ e de quebra curtindo um pouco de Paris.

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Marcelo Motta

Aprovação Automática para o parceiro Marcelo Motta que aniversariou dia 6 de abril. Jornalista da UPPE-Sindicato, ele representa a presidente da entidade na Comissão de Educação da Alerj.

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quinta-feira, 21 de março de 2013

Minha Casa, minha grande furada!

 Os anarquistas, um movimento romântico, que nunca deu certo no mundo real, preconizavam que a propriedade é um roubo. Marx, em um de seus escritos, desancou com a turma, que entre outras coisas, também, sonhava com uma sociedade sem policiais. Qualquer garoto que hoje entra para a universidade e que esteja um pouco desligado das coisas do mundo, ou seja, tenha papai e mamãe para bancar seus gastos mínimos, se apaixona pelos escritos anarquistas. É uma ótima literatura para conquistar namoradas também sonhadoras, entremeando com algumas canções de roqueiros revolucionários e outros do gênero.
Faço essa introdução para dizer que "minha casa não é mais a minha vida". Quando ingressei por volta dos 18 anos no mercado de trabalho, minha mãe me aconselhou para que não fizesse como a maioria dos jovens de minha idade que saía logo comprando um carro. A sabedoria de mãe me orientou para investir em um imóvel, o que fiz e não me arrependi.
Mas, hoje, com o passar dos anos e com a mudança do mundo, não é a dica que dou para os mais novos. Eu recomendaria um bom par de tênis e uma bicicleta.
E recomendaria ainda mais. Estiquem a adolescência até uns 30, 40 anos ou o máximo que puderem antes dos pais lhe botarem para correr, como em um delicioso filme europeu (desculpem ter esquecido o nome), em que os pais fazem de tudo para expusar o malandro de casa (acho que se chama Tangui), inclusive simulando até um divórcio entre o casal.
Comprar casa ou mesmo um terreninho no mundo atual é a maior dor de cabeça. Você escolhe um bairro acolhedor e de repente, da noite pro dia corre o risco de (como ocorre no Centro de São Paulo) ver sua rua ter se transformar em um ponto de comércio 24 horas de crack, ficando você ilhado no apartamento boa parte do dia.
Um especialista no assunto, também contrário aos investimentos em imóvel, cita o caso de seus avós que investiram as economias em um amplo e confortável apartamento em Copacabana. Com o passar do tempo, os filhos foram casando e deixando o apartamento e o casal de velhinhos ficou com um elefante branco, cheio de quartos, com gastos elevados com empregados e condomínio. E para agravar a situação, a rua famosa com a evolução dos costumes passou a ser ponto de prostituição e com isso, o valor do imóvel - o tal de elefante branco - caiu vertiginosamente.
No meu caso, meu apartamento valorizou muito por ser de fundos. Os apartamentos de frente se desvalorizaram com o boom dos automóveis e transportes em geral. A rua antes sossegada passou a ter duas linhas de ônibus circulando, além de kombis e vans que nas primeiras horas da manhã acordam os moradores com os assistentes dos motoristas gritando a pleno pulmões o itinerário. Nos fundos, reina sossego e a segurança como as de um castelo medieval rodeado de grades e porteiros 24 horas.
O imóvel em termos de qualidade sofre os impactos da economia. Esteve muito desvalorizado quando o garoto do vizinho aderiu a funk e vivia tocando a música do Bonde do Dendê em alto volume a qualquer hora do dia, sem que os pais o pudessem controlar - como acontece hoje em muitas famílias. Em boa hora, o menino se converteu a uma igreja, engravidou uma menina e caiu fora do apartamento. A paz enttão voltou a reinar.
O problema é nos fins de semana. Quando a economia melhora chega um caminhãozinho com cadeiras e mesinhas e se for festa de criança até com pula-pula e apesar da lei do silêncio o som dos bêbados e das equilibristas se arrasta até quase meia-noite, com o cheiro do churrasco queimado se espalhando pelo prédio.
Mas, como diz o ditado: ama seu vizinho como a si mesmo. Nos dias atuais, comprar imóvel é uma grande furada. O melhor é o aluguel. Você escolhe o seu paraíso e se em um ano ele virar o inferno é só você tocar fora, pois, nessa terra de ninguém o tempos de se queixar com o bispo também já passou.

domingo, 3 de março de 2013

Consultório Sentimental


 Uma velha amiga me telefona. Diz estar passando por um problema de ordem sentimental. Estranho ser eu o procurado, com tantos psicólogos, conselheiros e mesmo outros amigos ou amigas mais qualificados. Ela diz que vê em mim uma pessoa segura (é importante saber como outros olhos nos vêem) e que lembrou de muitas de nossas conversas nos intervalos do curso de Inglês. Apenas - como manda o figurino - fiquei a escutá-la. Nessas horas, as pessoas necessitam mais de um ouvido do que de uma boca, mesmo que amiga. Ela fala de um "relacionamento". De um antigo namorado e que chegaram até a ficar noivos. Fala de brigas e reconciliações, como algo doentio. E, conta que agora tomou uma decisão de não reatar mais e procurar um novo caminho. Contudo, assinala que ele vive insistindo pela nova reconciliação, mas ela definitivamente não quer mais. E, finalmente, explica no que posso contribuir. Me pede uma sugestão para que explique de vez ao ex-namorado que tudo está definitivamente terminado.

Penso um momento, e o que me vem a cabeça é "A Fonte Secou", de Monsueto Menezes, e então começo a cantar a música para ela. Do outro lado do telefone, vem a sonora gargalhada e o "muito obrigado. Você é o máximo". 

Acho que vou abrir um consultório sentimental. Para quem precisar:   

A fonte secou 

Monsueto Menezes

Eu não sou água
pra me tratares assim
só na hora da sede
é que procuras por mim
a fonte secou
quero dizer que entre nós
tudo acabou
teu egoísmo me libertou
não deves mais me procurar
a fonte do meu amor secou
mas os teus olhos nunca mais hão de secar