Mauricio Figueiredo

Educação, recursos humanos e o melhor do et cetera

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Não vamos dar sorte ao azar

É comum conhecermos muitas pessoas que costumeiramente falam da falta de condições dos locais em que trabalham. Relatam acontecimentos como elevadores que enguiçam frequentemente, deixando várias pessoas presas durante alguns minutos, mas que parece uma eternidade; comentam sobre rachaduras ou má conservação de seus prédios; vazamento de gás; insalubridade, etc.

Por isso, quando ocorreu a explosão de um restaurante na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, acreditava-se que haveria maior atenção em relação ao fato.
Prédios caindo na cidade, infelizmente, não é novidade. A memória das pessoas às vezes é curta e logo tendemos a esquecer episódios como o da tragédia do Edifício Palace II, na Barra da Tijuca, ocorrido em um domingo de carnaval, em 1998,  construído pelo empresário e ex-deputado federal Sérgio Naya, que desabou devido ao comprometimento de seus pilares de sustentação.

A cidade registra muitos episódios em que a falta de fiscalização pelo Poder Público resulta em acidentes graves. Os três prédios que ruíram no Centro do Rio na quarta-feira, 25 de janeiro, representam mais uma lição entre muitos que não são aprendidas pelas autoridades competentes.
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Prefeito ovacionado

No aniversário de 458 anos de São Paulo (25 de janeiro), o prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi literalmente “ovacionado” por cerca de 200 populares que cercaram seu carro, quando ele saía da Catedral da Sé, no coração da cidade. O automóvel foi apedrejado, com os manifestantes atirando ovos, pedaços de paus, pedras e até lixeiras no veículo.

Nada se justifica a violência, mas há casos em que a população acaba perdendo a paciência com a classe política.
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Via Candelária

No caos formado no trânsito do Rio, com a tragédia da queda de três edifícios, muitos motoristas de vans passaram a fazer o término da viagem na Candelária, deixando de trafegar pela Avenida Rio Branco e imediações. As pessoas que se aventuraram a ir para o trabalho tiveram de fazer uma boa caminhada.
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Mengão nas alturas

O Flamengo foi derrotado na altitude de 4 mil metros e temperatura de quase zero graus em Potosí, na Bolívia. O adversário venceu  por 2 a 1. Agora o Mengão terá de dar o troco na partida de volta. Para isso, bastará vencer os bolivianos por um a zero, no mínimo.

Vagner Love chega em clima de festa nesta quinta e será apresentado aos torcedores oficialmente na sexta-feira.
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Concurso do INSS
Quase um milhão de pessoas (916.210 candidatos) irão participar do concurso do INSS, no qual são oferecidas 1.500 vagas para técnicos (904.459 inscritos) e 375 vagas para médicos (11.760 inscritos).
A turma deverá meter “a cara nos livros”, pois a prova está prevista para 12 de fevereiro.

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SILÊNCIO NA GÁVEA –

Provocação do tricolor Márcio Bandeira: “ Super Mengão perde pra time de mineradores da bonita cidade do noroeste boliviano !!!  Que coisa feia hein !!!! Rs..."

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Marinha na Feira do Livro

“260 anos do povoamento açoriano no RS” é o tema da 39ª edição da Feira do Livro da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), uma homenagem aos imigrantes açorianos que chegaram ao Rio Grande do Sul em 1752. A Marinha do Brasil (MB), por intermédio do Comando do 5º Distrito Naval, participará do evento, que terá início no dia 26 de janeiro e se estenderá até o próximo dia 5 de fevereiro, na Praça Dídio Duhá, no balneário Cassino, das 19h às 22h30.
     

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OAB de Niterói

O presidente OAB de Niterói, Antonio José Barbosa da Silva, informa que continua mantendo conversações com o Bradesco para a ocupação do espaço deixado pelo Itaú no segundo andar da sede da entidade, que fica ao lado do posto do Banco do Brasil, para dar continuidade ao trabalho realizado pelo Itaú quanto ao recebimento da Grerj.

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Funcraf contrata médico

A Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-Faciais (Funcraf), instituição associada do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP em Bauru, está recebendo inscrições para processo seletivo que vai contratar um médico otorrinolaringologista para a unidade ambulatorial de Itapetininga (interior de São Paulo). As inscrições serão recebidas até o dia 1º de fevereiro, na unidade da Funcraf em Itapetininga, na  (Av. Pe. Antonio Brunetti, 1.262, Vila Rio Branco Itapetininga), de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13 às 17 horas, ou via correio, e também na sede da Funcraf em Bauru, (Rua José Ferreira Marques, 10-54, Vila Universitária, de segunda a sexta, das 8 às 17 horas.

O edital completo pode ser consultado no site da Funcraf.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SBT e Globo: a notícia no ritmo do patrão

“Camelô na conversa ele vende algodão por veludo. Não tem
 bronca porque nesse mundo tem bobo pra tudo” (Manoel Brigadeiro)


A Luiza, aquela famosa que estava no Canadá, depois de repercutir nas redes sociais ganhou a mídia “tradicional” televisiva. A Globo saiu na frente e levou a “celebridade” diretamente para seus estúdios, onde pontificou, dando autógrafos e deixou-se fotografar com o próprio âncora de um dos jornais matutinos.
Querendo-se ou não, tudo o que é notícia — por mais irrevelante que seja — acaba ganhando o noticiário dos jornais, revistas, rádio ou televisão. Isso se dá, porque, a mídia de maneira geral depende de audiência. É a audiência que atrai os patrocinadores, tanto privados como público.
Os meios de comunicação de massa, como o nome está dizendo é voltado para o grande público. Ele trabalha dentro de uma estrutura comercial. O patrão precisa pagar impostos, luz, gás, empregados, etc. Se o seu veículo dá prejuízo, os salários atrasam, as grandes contratações e projetos são engav etados e se houver bobeira, da noite para o dia, o desastre se torna inevitável, com a falência surgindo rapidamente.
Quando a emissora é estatal, pode se dar ao luxo de experimentalismos; de não ligar para a questão da audiência. Nesse caso, o Estado banca tudo (ou seja, com o dinheiro dos contribuintes). Em muitos casos, elas podem até servir como cabides de emprego.
No Brasil, os meios de comunicação seguem uma ótica própria de um estado capitalista, onde o lucro deve ser perseguido a todo o custo.
A Luiza, nesse caso, passa a ser mais importante que tudo. A Globo teve essa percepção e foi atrás da audiência.
O âncora do SBT, como o Flamengo que perdeu o Tiago Neves para o Fluminense, teve de caminhar por outra linha e na abertura do jornal de sua emissora aparece fazendo análise crítica sobre o episódio, alegando que nós já fomos mais inteligentes.
Talvez, a nossa inteligência tenha ficado enterrada no baú que o patrão enterrou em algum quintal do circo dominical que há anos tem divertido milhares e milhares de pessoas.
A Luiza é de verdade uma bobeira como qualquer outra que de vez em quando aparece no nosso dia a dia.
Tivesse ela aportado no programa do Patrão e o discurso seria outro.
Mas, enquanto isso, muitos se deixam levar pelo mundo da fantasia do que Stanislaw Ponte Preta denominou de “máquina de doidos”.
Bobo é quem compra essa briga, sem ganhar nada.

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Abandono do navio

E quantas vezes também pulamos do barco, quando deveríamos ser o último a sair? Quantas
vezes colocamos as crianças em último lugar da fila, passando por cima dos verdadeiros
direitos delas. Elas que por serem as mais novas na chegada ao planeta deveriam ser as mais
protegidas, entre todos, na continuidade da vida humana. E da mesma forma atropelamos as
mulheres, jogando-as para baixo cada vez mais, iludindo-as com a conversa fiada de que as
estamos elevando. E, descartamos os mais velhos como fardo pesado a ser carregado e
desdenhamos de suas possíveis lições e experiências? Quantas vezes, nós, que somos os
verdadeiros comandantes também afundamos nossos corpos em direção às rochas e fazemos
naufragar nossas almas levados pela ganância, egoísmo, maledicência e tudo o mais que
deveríamos renunciar, justamente, por sermos o comandante do navio? E nós que tão facilmente
julgamos e repelimos com veemência todos aqueles que nos querem julgar?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eles não viram o Barcelona

A temporada de futebol no Brasil já teve início, com a Copinha de São Paulo, na qual surge a expectativa da revelação de alguns novos talentos para o futebol brasileiro, que no momento é tão carente de craques, especialmente no meio campo, onde praticamente é decidido o resultado dos jogos. Pelo visto, a garotada e os técnicos não assistiram a famosa decisão do Mundial de Clubes entre Barcelona e Santos, na qual o time espanhol adotando o estilo do velho futebol brasileiro deu uma aula de bola nos garotos da Vila. Na Copinha continua prevalecendo os chutões, a correria desordenada, a pouca intimidade com a bola e o excesso de individualismo em vários lances.

A equipe do Flamengo, campeã do ano passado, chegou a São Paulo exibindo total arrogância, achando que poderia eliminar facilmente os desconhecidos adversários. Muitos jogadores por já terem estreado no limitado time profissional achavam que podiam decidir os jogos a qualquer hora. A única coisa que o time comandado por Paulo Henrique parece ter aprendido bem, com os marmanjos é a de fazer a coreografia na hora do gol, sem saber que futebol só acaba quando o juiz dá o apito final. Até a comemoração comedida do Barcelona ao ganhar o maior título do futebol mundial não serviu de lição.

O futebol da garotada que deveria ser a grande escola de implantação do bom toque de bola, característica antiga do jogador brasileiro, também rendeu-se ao futebol força na qual se destaca o garoto "parrudão" e "botinado", que entra em cada lance no melhor estilo do futebol americano, só faltando as armaduras. Entre os mais jovens repetem-se os velhos vícios do futebol dos adultos e pouco se herda das qualidades.

Como muitos talentos jovens, mesmo antes de formados acabam sendo transferidos para o exterior (há jogadores brasileiros em tudo que é canto, inclusive no Vietnã), a categoria de base não tem tido tempo suficiente para armar novas e poderosas equipes. Desse modo, o novato chega ao time de time sem a formação ideal e na vitrine o sonho passa a ser o de conseguir algum destaque, o que não é difícil devido a baixa qualidade das equipes, com o objetivo de conseguir transferência para qualquer time no exterior.

Da mesma maneira as equipes perderam a identidade. Seus jogadores principais de verdade pertencem a empresários, com o cluble, quando tem, possuindo mínima participação. Caso típico foi o de Ronaldinho Gaúcho, o clube honrou a sua parte nos pagamentos, mas a empresa detentora do passe, no primeiro descontentamento, suspendeu os salários do atleta. Em outros clubes o problema também é idêntico. Alguns descobriram a fórmula milagrosa do Mega Supervisor, com salários super atraentes. Mas o time de futebol que é a essência do próprio crescimento de cada clube, continua sendo tratado na base do chutão.

Dirigentes, técnicos e jogadores parece que não viram o Barcelona.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Recado do Repórter

1º de janeiro: primeira caminhada

É preciso manter a vontade de caminhar
Comércio fechado. Uma ou outra farmácia aberta. Bancas de jornais totalmente fechadas, a salvação é um tradicional
vendedor ambulante que aparece sempre em datas especiais e garante a venda dos principais jornais com as notícias
das festas de fim do Ano Velho. Caminhar pela estrada deserta é colocar em prática uma das promessas para o Ano
Novo — são 30 minutos de ida e volta —.

Alguns outros poucos caminhantes estão em marcha um bêbado passa dando feliz Ano Novo. Uma velha padaria
exibe os primeiros frangos na TV dos cachorros. Três cachorros próximos a um posto de gasolina brigam por uma
carniça de um saco de lixo ou resto de ceia. Poucos ônibus e carros transitam pela estrada. O bairro em ressaca
vez em quando ouve um foguete espoucar ao longe. O jornal registra a morte de um jovem e talentoso jornalista
do Estadão (Daniel Pizza - 41 anos). O forte do noticiário, no entanto, é a queima de fogos na virada do ano, com
estaque para as áreas da cidade pacificada e o pioneirismo de fotos feitas na área. No 1º de janeiro, a cidade também
parece que dá a sua primeira caminhada. Resta saber se ela terá segmento ou cairá na acomodação de ver a vida
passando no brilho colorido da tela da televisão ou nas páginas que se multiplicam na internet. Um 2012 que pode
ser altamente promissor. Tudo dependerá da nossa energia e vontade de caminhar.

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domingo, 18 de dezembro de 2011

Barcelona: aula de bola


Categoria: Esporte

Time de Messi incorpora o velho futebol brasileiro e argentino 
 ‎"Nós brasileiros precisamos aprender a jogar bola como o Barcelona". A frase é do Neymar no fim do jogo no Japão. Ela é sintomática e verdadeira. Um recado para os técnicos e dirigentes cabeça de bagre do futebol brasileiro que vivem priorizando jogadores medíocres em detrimento dos que jogam bola. É o chamado futebol-resultado, futebol-pegada e outros chavões. Caminhamos rumo a um desastre em 2014 se não mudarmos nossa mentalidade.
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Tenho visto alguns jogos do sub-20 e outros de jogadores iniciantes. A garotada e os técnicos adotam os mesmos vícios do futebol dos grandões. Muita marcação, muita violência, muita raça e pouco futebol. O goleiro ou o zagueiro de posse da bola dá chutão para a frente, devolvendo a bola para o adversário. Os técnicos impunemente assistem tudo isso sem qualquer reação...
 
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Brincadeira à parte acho que o Corinthians ou o Vasco se sairiam melhor contra o Barcelona. O problema é que o Santos abandonou o Campeonato Brasileiro e perdeu o ritmo de time competitivo. Ficou olhando o Barcelona dar chocolate...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Barcelona não é o bicho-papão

Barcelona não é imbatível
e confronto com o Santos
pode provar isso

Equipe espanhola também tem motivos para temer os brasileiros


É inegável que o Barcelona, comandado pelo argentino Messi, seja o time sensação do momento. O toque de bola da equipe chama a atenção de quem gosta de um bom futebol. Mas, também é fato que a equipe espanhola vem jogando junto há muito tempo, permitindo o aperfeiçoamento do conjunto. O futebol brasileiro não fica nada a dever a tudo isso, principalmente, em relação a nossas melhores equipes como o Santos. Nossa maior dificultade tem sido a de reter os principais jogadores. O Santos conseguiu isso com as suas entrelas máximas Neymar e Ganso e também, de certa forma, tem uma base sólida.

O fiasco da Seleção Brasileira de Mano Menezes, na Copa América, pode ter trazido a Ganso e Neymar um maior amadurecimento. Certamente, os dois craques serão mais objetivos na decisão provável com o Barcelona, no domingo dia 18. Trata-se de uma mata-mata e tudo pode ocorrer nos 90 minutos de jogo. Recentemente, o Barcelona ao enfrentar o rival Real Madrid sofreu um certo sufoco no primeiro tempo da partida, com a equipe madrilhenha perdido, no mínimo, duas grandes oportunidades nos pés de sua estrela Cristiano Ronaldo. Isso é o que não poderá ocorrer em relação ao Santos. Certamente, será um jogo em que as oportunidades não poderão ser desperdiçadas.

Quando se fala na maravilha do toque de bola dos jogadores do time espanhol, é preciso se dar um desconto pela excelência do estádios em que a equipe atua. No caso do futebol brasileiro, mesmo nos melhores estádios, o campo é agredido pelo excesso de jogos e montagem de espetáculos fora do âmbito futebolístico, como apresentação de artistas, etc.

Outro fator é que no campeonato espanhol, a anos duas equipes são mantidas na hegemonia: o Real Madrid e o próprio Barcelona. Não há grandes surpresas nesses campeonatos, como também, de certa maneira, ocorre com o italiano e o inglês. Já no Brasil, o nosso longuissimo campeonato é disputado por no mínimo oito times com plenas condições de se sagrarem campeãs antes do início da competição, sem falar em outras que acabam surpreendendo (Figueirense, em 2011).

São estilos diferentes, em termos de experiência futebolística. Se der Santos, não deve ser visto como surpresa, por mais que o futebol do Barcelona venha nos encantando. Antes de tudo seria necessário ver como seria o desempenho de um Barcelona, Real Madrid, Milan, etc, caso participassem de um Campeonato Brasileiro. Ou se fosse o Santos ou outro grande time brasileiro disputando o campeonato espanhol.

Nos anos 60, era comum a excursão de equipes brasileiras a Europa, participando de competições ou amistosos e na ocasião os brasileiros sempre levaram a melhor. O mundo do futebol na atualidade passou a ser gerido pelo aspecto econômico, com as equipes dos maiores centros tendo condições de contratarem os melhores atletas. O Brasil, como a Argentina, ganham por serem duas grandes escolas de futebol. Agora, cabe ao Santos mostrar em que estágio estamos.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dr. Sócrates: um craque além da bola

Falar de craques do futebol brasileiro é algo bastante comum e fácil de se fazer. Com cinco títulos de Campeão Mundial, o país é verdadeiro celeiro de craques. Por isso, não é a habilidade futebolística o mais marcante no Dr. Sócrates que o mundo esportivo perdeu no início do domingo, sem ver o seu Corinthians sagrar-se pentacampeão Brasileiro. A lição do doutor está justamente em ter expandido como poucos a sua área de atuação, não só profissional como pessoal. Há pessoas que se confundem com suas profissões e pouco deixam escapar de outras áreas de suas vidas, como pais, filhos, irmãos, amigos, colegas. Mas não o doutor Sócrates, cujo título tanto pode servir para o seu enorme talento no mundo da bola, como pelo seu envolvimento no mundo da Medicina, mas também da Política e da Cidadania. Idealizador da Democracia Corinthiana — em pleno período da ditadura —, ele mostrava a possibilidade de mostrar a seus pares caminhos e conquistas em um ambiente da liberdade. Fora do esquema do politicamente correto viveu sua vida com a máxima intensidade e lutou pela vida com a máxima dignidade. Não se abateu e não se deixou esmorecer. Na roda de uma mesa esportiva ousou apresentar planos para o futuro e falou de projetos que desenvolveria com os amigos Fagner e Zéca Baleiro. Foi muito mais que um craque de futebol. Foi um craque indignado com a situação geral do Brasil e esperançoso de um futuro melhor para todos os brasileiros. (Recado do Repórter)
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sábado, 19 de novembro de 2011

Zumbi: que feriado é esse?


"Quando fui para África do Sul, me perguntaram como nós brasileiros fomos capazes de criar um modelo de racismo tão sofisticado que a vítima não se sente atingida e o agressor não sabe que agride. Por isso a discussão das cotas é legal. Porque expôs o racismo embutido". A declaração do professor de Ética Carlos Alberto Santos, da Universidade de Brasília ( UnB) é prova cabal de uma situação interna em nosso país, que, pelos mais diversos motivos, grande parte das pessoas, mesmo as letradas, com acesso a estudos, documentos e avaliações, preferem não enxergar o escamotear em nome de uma propensa política racial brasileira que serve de modelo para o mundo.

Mais a dura realidade, como na história infantil do menino da corte que teve a coragem de mostrar a todos que "o rei está nu", o racismo é um forte componente da sociedade brasileira, e a visão vinda da África do Sul também pode ser verificada por muito mais especialistas que estudem a fundo a realidade do negro em nosso país. Aqui o negro é maioria absoluta nas prisões e nos bolsões de miséria, juntando-se à massa da população pobre proveniente do Norte e Nordeste em busca de melhor oportunidade de emprego e melhoria de renda nos grandes centros como São Paulo e Rio. Aos negros marginalizados somam-se os pardos da miscigenação - orgulho nacional - e de alguns poucos brancos que não conseguiram ascender socialmente.

Quando o brasileiro vê o sistema de casta da Índia, no estilo daqueles que não olham o próprio nariz, acreditam que em nosso país não há esse tipo de discriminação. E estão certo, só a força do poderio econômico, do enriquecimento pode fazer que o negro se torne um homem de "alma branca". Embora sejamos a segunda maior nação em número de negros do mundo, só perdendo para a Nigéria, a visibilidade do negro no Brasil é mínima. Quem sintoniza em uma TV por assinatura a transmissão de nossa corte maior, o Supremo Tribunal Federal (STF) se depara com um ministro negro ladeado por seus pares brancos ou quando muito amorenados. Tal fato ocorre em diversos outros segmentos do estrato social, tais como, as igrejas, partidos políticos, universidades, magistério (principalmente o de nível superior), medicina, direito, meios de comunicação (em especial a televisão) e demais profissões consideradas nobres. O espaço cativo do negro tem sido o samba, o futebol e a mão de obra barata do mercado de trabalho (em especial a informalidade e o mundo produtivo da marginalidade).

De acordo com várias pesquisas, um jovem branco de 25 anos tem, em média, mais 2,3 anos de estudo que um jovem negro da mesma idade, e essa intensidade da discriminação racial é a mesma vivida pelos pais desses jovens – a mesma observada entre seus avós. Isso também ocorrem em relação a renda, na qual um trabalhador negro percebe remuneração inferior a um branco com o mesmo nível de escolaridade.

A desigualdade racial brasileira, marcada pela exclusão social, foi objeto de recriminação por entidades internacionais, quando praticamente exigiu-se providências do governo brasileiro em relação ao assunto. A partir daí surgiram alguns projetos de lei no Congresso Nacional, destacando-se também a implantação nas universidades das ações afirmativas para os negros.

O feriado de Zumbi - 20 de novembro - desse modo se incorpora a tentativa de se colocar um representante negro no panteon dos grandes heróis nacionais. Mas para muitos, a luta de Palmares nada tem a ver com o Brasil embranquecido por anos e anos por práticas racistas tão bem observada por comentaristas da África do Sul, ao citarem a sutileza de nosso "apartheid". 

Conforme escreveu o antropólogo Darcy Ribeiro, "Palmares podia ganhar e ganhou mil batalhas sem consolidar jamais sua vitória - dada a inviabilidade histórica de um socialismo extemporâneo. Mas não podia perder nenhuma. Perdeu".

E ainda hoje, que perde é o próprio Brasil ao não enxergar em seu racismo o eixo perverso de todas as suas mazela: Do Oiapoque ao Chuí passando pelo enigmático mundo da Rocinha carioca, a partir de nossa população pobre da qual o negro é a grande matriz.

Bandeira do Brasil, ninguém te manchará

Após a proclamação da República no Brasil, no ano de 1889, criou-se uma nova bandeira para representar a nova fase da história brasileira. A bandeira do Brasil Império (1822-1889) foi substituída pelo projeto de Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, mas a inspiração dos autores para produção da nova bandeira continuava sendo a bandeira do período imperial desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret. Já o Hino à Bandeira brasileira apareceu pela primeira vez em 1906, com letra do poeta Olavo Bilac e música de Francisco Braga.  O início da letra diz: 
 
"Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!"
 
A Bandeira brasileira também é exaltada em um hino do Exército "Fibra de Herói", com letra de Teófilo de Barros Filho e música do maestro Guerra Peixe. Um trecho da letra diz:
 
" Bandeira do Brasil
Ninguém te manchará
Teu povo varonil
Isso não consentirá
Bandeira idolatrada
Altiva a tremular
Onde a liberdade
É mais uma estrela
A brilhar"
 
 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

República: Deodoro perdeu a paciência


No dia 14 de novembro, o Marechal Deodoro estava muito mal de saúde. Muitos temiam pela sua morte. Benjamin Constant inclusive depois de visitar o velho marechal declarou que se ele não amanhecesse vivo o golpe da República iria por terra. Deodoro era o único em condições de fazer a Proclamação sem gerar um racha no Exército.

O velhinho, no entanto, acordou firme e lépido no 15 de novembro, embora tivesse passado muito mal à noite, surpreendendo Quintino Bocaiúva e Benjamin Constant que foram visitá-lo nas primeira shoras da manhã. A Casa de Deodoro fica alí na Praça da República (perto do Campo de Santana) na quase esquina com a Presidente Vargas. Dalí, o marechal partiu de carro (sua condição de saúde não permitia que montasse a cavalo, como aprendemos nos textos heróicos em nossas escolas) rumo ao Palácio do Exército (é aquele prédio imponente nas proximidades da Central do Brasil, conhecido por quem mora ou conhece bem o Rio de Janeiro). A distância é bem curta. Deodoro, Quintino e Benjamin foram ao encontro da tropa que se descolara de São Cristóvão.

O objetivo de Deodoro era o de depor o Gabinete Ouro Preto. É bom não esquecer que o marechal tinha um grande apreço pelo Imperador Pedro II. Tanto que ao chegar ao Palácio do Exército resolveu subir em um cavalo e tirando o boné deu um "viva o imperador!", mas seu grito enfraquecido foi logo abafado pelas salvas de artilharia, com disparos ordenados por Benjamin Constant.

Ainda enfraquecido pelo seu mau estado de saúde, Deodoro ao entrar no quartel-General procurou de imediato o Visconde de Ouro Preto, a quem queria derrubar do cargo. Ao encontrá-lo noticiou que o mesmo estava demitido sob a acusação de perseguir os oficiais ou mesmo de dissolver  o Exército. O bate boca foi áspero, com Deodoro dizendo que tinha sacrificado sua saúde nos pântanos do Paraguai em benefício da pátria.

A resposta de Ouro Preto foi a gota d'água para a derrubada do Império: __ Maior sacrifício, general, estou fazendo, ouvindo-o falar.

O tempo fechou e Deodoro ordenou a prisão de todo Gabinete.

A derrubada do Gabinete Ouro Preto, contudo, não significou a Proclamação da República. Ainda, à noite, de volta a casa Deodoro continuava em cima do muro, embora pressionado por Benjamin Constant a tomar uma decisão. Isso só ocorreu quendo recebeu notícias de que Pedro II convocara Silveira Martins para organizar o novo Gabinete. Ora Silveira Martins, hoje uma rua da zona sul do Rio, era nada menos que um dos maiores inimigos de Deodoro. O marechal perdeu a paciência e o Imperador Dom Pedro II dançou de vez.
Artigo publicado na www.agenciareporterdigital.com.br